Burlesco

Surgiu em meados de 1830, sendo descendente da Commedia dell'arte (forma de teatro de improviso realizado na Itália, muito popular entre os séculos XV e XVII) e trazendo consigo um grande componente cômico além de acrobacias, teatro com gestos (pantomina) e a dança. Como gênero teatral junto às óperas, foi uma forma das classes baixas satirizarem o entretenimento das mais altas com humor, exibindo verdadeiros shows de variedades sempre com muito exagero. Por ser uma cultura relativa às classes baixas, os locais em que eram realizados a dança ou o teatro burlesco eram não-elitistas, onde podia-se fumar, beber, manter-se em pé ou sentado nas mesas. A finalidade da dança burlesca é a arte de se despir com delicadeza e sensualidade, deixando de lado o que consideramos vulgar e ressaltando a beleza feminina.
 A britânica Lydia Thompson foi a primeira estrela burlesca, sendo fundamental na exportação do estilo junto à sua trupe British Blondes. Ixion foi seu primeiro hit, uma paródia mitológica em que mulheres vestiam colãs reveladores fazendo papel de homem. Por conta da explosão do estilo, Mabel Saintley tornou-se a primeira americana nativa. Mesmo parecendo monótono atualmente, uma singela perna a mostra já chamava muito a atenção do público, os levando à loucura!

No início dos anos vinte, a dançarina que teve destaque foi Millie DeLeon. Nesses tempos, o burlesco foi caracterizado como indecente pela mídia, o que acabou o tornando um verdadeiro fenômeno e os teatros burlescos estouraram através dos EUA. Para evitar a nudez total, as mulheres tapavam as virilhas com cordas frágeis e algo para tapar os mamilos, evitando a visita da polícia. A partir desse momento, os homens que frequentavam os teatros tinham a intenção de assistir à performance do strip-tease, deixando de lado a comédia (que não era mais tão atrativa). Menos roupa significava mais audiência. Também podemos levar em conta outros grandes nomes como Gypsy Rose Lee e Sally Rand.

No começo dos anos 30, foi a vez do teatro Windmill, localizado em Londres e criado por Laura Henderson onde lançou infinitos shows de variades que incluiam cantoras, dançarinas, showgirls e números especiais. Quando Laura resolveu imitar o icônico Moulin Rouge, o negócio explodiu. Fizeram sucessos os números em que as garotas apareciam nuas com temas como sereias e índias.

               
A década de 40 foi das pin-ups. Hollywood passava um ideal de beleza da mulher perfeita: sexy e glamurosa, devendo muito ao burlesco. Betty Grable era um verdadeiro ícone. Apesar da depressão estadunidense, algumas revistas masculinas puderam manter viva a cultura burlesca. Nesse momento, os clubes passaram a contratar estrelas para dançar e uma nova forma do burlesco surgiu. Gypsy Rose Lee, Sally Rand e Georgie Sothern formaram suas próprias companhias e fizeram turnês ao redor de todo o país, divulgando cada vez mais o estilo de dança hollywoodiano. Também foi durante esse tempo que os figurinos e coreografias se tornaram mais elaborados, contando com as apresentações de Lili ST.Cyr (com banhos de espuma nos palcos) e Evangeline (que se apresentava dentro de uma ostra).

Durante os anos 50, o corpo voluptuoso era o ideal e Marilyn Monroe se encaixava perfeitamente nisso. Ela também foi um ícone ao se tratar da comédia (remetendo muito ao estilo burlesco). Também foi durante essa década que a verdadeira pin-up Bettie Page estourou, estrelando alguns filmes burlescos.

A partir dos anos 60 até meados dos anos 90, o burlesco perdeu o sentido porque o sexo se tornou um produto fácil e os homens não sentiam mais necessidade de ir ao teatro para admirar mulheres nuas. Nos anos 90, surge uma das showgirls mais famosas que fazem renascer o burlesco: Dita Von Teese. Com sua caracterização espetacular, é muito díficil que alguma pessoa em sã consciência não admire a beleza e as curvas de Dita. Nessa década, as dançarinas Catherine D'Lish (foto) e Jo Weldon também fizeram parte do renascimento burlesco.

O que torna a dança burlesca diferente do strip-tease é o ato teatral (sempre com muita encenação não só nos gestos, mas no figurino e no cenário) e também por nunca mostrar tudo: a graça da dança é justamente sugerir, não mostrar. As dançarinas nunca ficam complemente nuas, fazendo do tapa-sexo/calcinha e dos pasties, itens indispensáveis. O burlesco também é muito democrático e não existem regras pra ser uma dançarina: pouco importa se você é magra ou gorda, bonita ou feia. O que realmente é levado em conta é a caracterização e o teatro apresentado, a dança, a arte em si. Além disso, ele te dá a possibilidade de ser quem você quer ser: uma cowgirl, uma bailarina, uma oriental... E, sem dúvidas, é um grande passo para a auto-aceitação e para o amor próprio. Seja pra você ou pra alguém, a dança burlesca revive um sentimento que muitas vezes é esquecido e deixado de lado: a sensualidade.

Espero que gostem do tema e os próximos posts terão tudo a ver com dança burlesca
Como sempre, qualquer crítica, dúvida ou sugestão é bem-vinda!
Com carinho, Gabi Santoro.

Tutorial: unhas meia-lua

Depois de uma pequena aula de história sobre elas, chegou a hora de copiar a manicure vintage mais querida! Ela pode ser feita de inúmeras formas e de cores diferentes mas, se seu intuito é parecer retrô, não dispense as unhas nuas com vermelho - forma mais clássica que possui. Preparei um tutorial bem fácil inspirado nas unhas da Dita Von Teese e que tal começarmos pelo formato das unhas?

Analisando as manicures antigas podemos perceber que nenhuma delas possui o formato quadrado (adorado por muitas) mas sim em formatos mais arredondados que, além de vintage, evitam que as unhas quebrem com facilidade! Desde que minhas unhas cresceram, mantive o formato entre Almond e Stilleto, porém tive que diminuir e deixa-las mais arredondadas porque começaram a me atrapalhar. Unhas pintadas são um grande símbolo de feminilidade e ter as unhas sempre feitas é muito bom!


Para aquelas que não têm facilidade (meu caso), o ideal é pinta-las com o auxílio de reforços plásticos pra não borrar. O material necessário consiste em reforços plásticos para fichário (vendidos em papelarias por aproximadamente 4 reais), um esmalte ou dois (dependendo de como você quer fazer) e palito/algodão/acetona para limpar as unhas. Pra quem possui o costume de usar top-coat, use-o também :)

Obs.: existem outros colantes redondinhos que podem ser usados para o mesmo fim, mas como os reforços de fichário possuem um buraquinho no meio, fica mais fácil para guiar e fazer em todas as unhas sem que o tamanho mude muito! Também vale lembrar que dependendo do tamanho que elas estão, a meia lua deve ser menor pra não ficar metade pintada e metade sem pintar.


Antes de colar as reforços, sua unha já precisa estar feita e com base! Sempre que pinto minhas unhas dessa maneira, posiciono a bolinha interna do colante na minha cutícula pra que todas fiquem do mesmo tamanho (o ideal é ir testando na sua até ver onde deve colocá-los). Depois que todos estiverem posicionados corretamente (cuidado pra que não fiquem tortos!), passe a primeira camada de esmalte e limpe os cantinhos. Se você quer deixar a meia lua de outra cor, você deve pintar a unha inteira de outra cor antes de colocar os reforços. Aí sim, você os coloca e passa o outro esmalte por cima!

Depois de passar a primeira camada de esmalte em todas as unhas, comece a passar a segunda camada. Nesse caso, a primeira foi com esmalte cremoso e a segunda com um cintilante, mas isso depende de como você quer o resultado!  Assim que passar a segunda camada, você deve limpar os cantinhos e logo tirar os reforços porque se tiver borrado e com o esmalte ainda molhado, você consegue arrumar com o palito de unhas seco! Assim que suas unhas estiverem secas, limpe os cantinhos com algodão e acetona com muito cuidado pra não borrar (eu sempre borro ou sempre gruda algodão no meu esmalte ou eu sempre esbarro em algum lugar com a unha ainda molhada e isso é trágico).

Tã-dãnnnnnnnnn!! Sua unha meia lua está pronta e deslumbrante :) É a primeira vez que uso esmalte cintilante (esse, em especial) e gostei muito do resultado. Minha inspiração foi a unha da Dita Von Teese no post sobre unhas meia lua (até deixei minhas unhas menos pontudas!), mas muitas famosas aderiram e tem muita ideia legal por aí pra copiar.

Até minha irmã resolveu aderir!

Espero que o tutorial sirva para lhes ajudar e que gostem também. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, entre em contato!

Beijos, Gabi Santoro.

Half Moon manicure

Marca registrada da dançarina Dita Von Teese, as unhas meia-lua fizeram parte do século XX a partir dos anos 20 por atrizes de Hollywood, sendo popularizada só nos anos 30, e modificada ao passar do tempo. Ao longo do século XIX os avanços tecnológicos seguiam um rumo implacável e surgiram dois fenômenos distintamente americanos: os carros e os filmes. Por volta de 1920, as tintas automotivas foram adaptadas para as unhas e uma indústria nasceu.

Nós mulheres sabemos o quão difícil é manter as unhas pintadas por mais de uma semana, principalmente por dois motivos: a cutícula cresce e empurra o esmalte ou elas descascam pelas pontas. E esse foi o principal motivo pelo qual a unha meia-lua se tornou tão adorada! Quando pintamos as unhas com esse formato, sem encostar nas cutículas, elas crescem e não estragam o esmalte, que aos poucos vai se soltando e, por isso, duram mais de uma semana. Além do mais, mesmo que o esmalte perto da cutícula não se solte, fica muito claro quando reparam na sua unha que ela cresceu; enquanto com esse modelo, isso torna-se imperceptível. Durante os anos 20 e 30 também era comum que a ponta da unha não fosse pintada porque também evitava que o esmalte fosse descascado.

O formato meia-lua (ou Reverse French manicure) se dá ao fato da unha toda ser pintada exceto uma parte perto das cutículas, onde a meia-lua se forma. Em algumas pessoas, a meia-lua da própria unha é bem aparente e, na hora de pintar, pode servir de guia para a manicure. Geralmente as unhas ficam nuas ou apenas com base, mas também existem alguns que pintam a meia-lua de outra cor (porém, é claro, o truque para que o crescimento da cutícula não prejudique o esmalte não funciona). Quando tornou-se popular, as cores mais usadas eram vermelho e marrom.

Existem duas formas de alcançar o modelo: uma delas possui a ajuda de círculos colantes e a outra, que requer mais prática, é feita sem a ajuda deles; porém, todo cuidado é pouco! Se a meia-lua é torta, irregular ou ficou no lugar errado, a manicure pode ser arruinada e todo o processo deve ser feito novamente. Muitas celebridades usaram esse tipo de manicure, que continua em alta até hoje.

  
 (Dita Von Teese, Bette Davis, Carole Landis)

Depois dessa pequena aula de história sobre unhas half-moon, que tal um tutorial? Mas é claro, isso é assunto para um próximo post :)



Com amor, Gabi Santoro.

Acessórios de cabeça!

Uma das coisas mais marcantes que eram usadas em tempos atrás, sem dúvidas, foram os acessórios de cabeça: turbante, casquete, laços, flores, chapéus, echarpes... Eles trazem muita feminilidade, além de ser um item muito elegante e que pode ser produzido de inúmeras maneiras, mudando o tecido, o corte; enfim, não existem desculpas para não usar. Porém, tudo nessa vida tem explicação e venho por meio deste explicar como e porquê esse itens se tornaram tão populares no século XX.

Echarpes:
      
 Sempre estiveram presentes no século XX mas tornaram-se um sucesso de fato na década de 40, quando a Hérmes virou sinônimo de echarpes quadradas com estampas em estilo cartão-postal. Foi mais ou menos nessa época que as chamadas Land Girls (mulheres que serviam na Segunda Guerra) e os rockabillies americanos (50's) começaram a usá-las no cabelo. De comprimentos mais longos, as echarpes estampadas com inspiração oriental tornaram-se parte do look boêmio dos anos 60 e 70. Usadas também por celebridades como Grace Kelly, os modelos eram geralmente produzidos de seda ou algodão e eram usados com tudo, desde vestidos até os macacões Land Girl. Atualmente, as echarpes podem ser usadas no cabelo, no pescoço ou até mesmo na bolsa, servindo de enfeite.

Turbante:
    
Tradicionalmente feito a partir de uma longa echarpe de seda ou cetim (para a noite), algodão (para uso diário) e até mesmo de chita e organdi, o turbante ganhou destaque pela primeira vez no século XX quando Paul Poiret criou turbantes combinados com calças saruel e túnicas de inspiração oriental. Na década 40, foram usados para que o cabelo das operárias não ficassem presos no maquinário da fábrica e para disfarçar o cabelo despenteado. Nos anos 60, as cores eram brilhantes, com modelos em vermelho, verde e azul. Antigamente eram usados com roupas de gola alta e estolas de pele. Atualmente, inúmeros lenços podem ser usados como turbante, dependendo da amarração; enquanto outros já são costurados no formato de turbante. O tecido escolhido deve ser combinado com o estilo que cada pessoa segue, de acordo com a década e a ocasião. Até mesmo o chapéu de frutas, usado por Carmen Miranda, era apoiado em um turbante geralmente dourado (foto).

Casquete (ou Fascinator):
      
De início, os casquetes serviam como protetor de cabeça militar e possuíam uma tira de segurança que era presa ao queixo. Mesmo sendo um item usado desde os anos 30, só em 1960 foi popularizado por Jacqueline Kennedy. Geralmente podem ser presos a cabeça por grampos de cabelo, porém ainda existem aqueles que se encaixam na cabeça como um chapéu comum e são produzidos em vários tamanhos por inúmeros tecidos, desde que sejam resistentes. Dependendo dos adereços que enfeitam o casquete, ele pode passar um ar de classe e, até mesmo, de drama. Geralmente são adornados com rendas, tule, pedras, fitas, penas e flores. Para ocasiões mais formais, as cores puras eram combinadas com a roupa. Atualmente, o clássico se dá justamente pela combinação do casquete com a peça de roupa a ser usada, mas também pode ser o adereço principal se usado com roupas simples.

Laços:
     
Muito tem a ver com o estilo bobbysoxer e o estilo preppy que foi representado, anos depois, pelo filme Grease. Não sei de onde nem porquê a moda do laço surgiu, mas sem dúvidas é um adereço muito feminino e delicado e, dependendo da forma que é usado, remete muito aos colégios americanos durante os anos 50. Podem ser feitos de inúmeros materiais: fita de cetim, algodão, feltro; como também podem ser amarrados direto no cabelo ou preso em elásticos e presilhas. Atualmente, são muito fáceis de achar e combinam com tudo, principalmente por ser um acessório comum e muito simples.
 
Flores:
    
O acessório preferido das pin-ups modernas são as flores no cabelo. Elas geralmente dão as roupas um ar de tropicalismo e lembra muito o estilo tiki, na maioria das vezes combinadas com vestidos rodados bem coloridos e com estampas tropicais. Ao contrário do casquete e do turbante, a flor combina muito com o verão e deve ser deixada de lado nos dias frios. Dependendo da cor, material e tamanho, também podem ser usadas em ocasiões mais formais e que pedem um look mais clássico, como um casamento ao ar livre. Combinadas com macacões e maiôs, servem de adereço que podem ser usados em dias ensolarados, como na praia.

Por enquanto é só! Estou adorando pesquisar mais sobre décadas passadas e isso me inspira muito. Logo, já tenho muitas ideias pra escrever aqui... Espero que gostem da primeira postagem meio que oficial e que continuem acompanhando o blog que logo menos tem post novo :)
Beijocas sabor  cereja, até mais

Cherry Bang who?

     Olá meninas, tudo bom? Venho por meio desse post estrear meu novo blog, com um conceito completamente diferente do Glamour Kills Slowly. Pra quem curte a nossa página ou me tem como amiga, sabe o quanto sou apaixonada por coisas vintage - por esse motivo, decidi criar um blog destinado unicamente a isso: às roupas, aos carros e ao estilo de vida dos anos passados.
     Sei que muitos irão pensar "mas porque um novo blog, se ela nem postava no antigo?". Pois bem... me cansei do antigo. Não é mais minha cara, não sei o que postar, as pessoas não se interessam por coisas antigas... E porque não começar do zero e trazer um público interessado no que você tem a dizer? Também darei dicas de maquiagem, penteados, looks, ideias para decoração, enfim, tudo aquilo que me apetece.
     O 'vintage' não é um vestidinho de brechó, é um estilo de vida. Quem realmente gosta disso, vive disso. Não sou expert no assunto, mas sou muito curiosa e interessada quando trata-se de coisas antigas. Procuro me informar e adoro ver tudo o que remete aos anos dourados, sem contar que me esforço muito em trazer isso pro meu cotidiano.
     Não sei ao certo quando comecei a me interessar por coisas antigas, mas comecei realmente a gostar quando assisti a um filme do Elvis (Uma noite com o rei do rock) e me apaixonei. Alguém pode me explicar que carro é aquele? E foi por esse carrinho rosa maravilhoso que comecei a procurar cada vez mais. Hoje, não consigo ver um carro antigo na rua sem ter um piripaque.
     O nome Cherry Bang não é nada muito significante (assim digamos) na minha vida. Criei esse nome assim que enjoei do meu usuário antigo do Instagram e misturei alguns nomes pin-up (sim, aqueles que você vê a inicial do seu nome e o nome pin-up!!!) e ficou.
     Espero que gostem das próximas postagens, imagens e blablablá. Qualquer crítica construtiva é muito bem-vinda e vou adorar saber a opinião de cada um de vocês. Beijocas, até mais! 

Sobre o blog

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